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quarta-feira, 25 de maio de 2016

“Sou tão misteriosa que não me entendo” Clarice Lispector

Dezembro está a chegar, para uns o começo do Inverno, para outros o começo do Verão, para outros a memória, e como ela é poderosa.
Aqui há uns anos pediram-me que escrevesse sobre uma escritora de que eu já tinha ouvido falar, já tinha lido e que, desde essas alturas o que mais tinha retido, da pessoa em si, é que por ter adormecido na sua cama com um cigarro acesso, provocou um incêndio que destruiu todo o seu quarto, foi hospitalizada em estado grave, e que teve quase a mão direita amputada devido às queimaduras sofridas.
Sabia também que se tinha apaixonado perdidamente em jovem por um escritor, mas em nada resultou porque ele era homossexual, e que, ao seu primeiro filho foi diagnosticado esquizofrenia, algo do qual nunca se perdoou, como se a culpa da doença dele, fosse toda sua.
Escreveu em colunas femininas, tipo Correio Feminino e Só para mulheres, mas é reconhecida mundialmente (muito mais nos meios acadêmicos) como uma das escritoras mais influentes do sec. XX, pela sua escrita inovadora, num estilo solto, elíptico, fragmentário, onde o caráter existencial abrange quase toda a sua obra.